domingo, 6 de julho de 2008

Eu, Rosa.

A Rosa gritou por mim. Uma rosa túrbida e disforme, meio calada demais, berrou meu nome pelas ruas estreitas daquele canto que eu estava, enterrada e sem cor. Assim era minha pobre Rosa, que ainda chorava calada no asfalto gelado do meu coração. Cala a boca, Rosa. Ás vezes eu tenho vontade de gritar. ME DEIXA EM PAZ, mas ela não se toca. Fica lá, se arraigando em mim, se imortalizando e fazendo com que eu sofra com cada pétala que derruba por mim. Por favor, Rosa, me deixa um pouco só. Não me acompanhe dessa vez, eu imploro. Eu quero, só por uma noite, me deitar em paz, sem ouvir você jogando na minha cara a infelicidade da minha própria alma vazia. Não quero mais ouvir essa sua voz franzina e irritante. Você insiste em sair, em se mostrar, em me mostrar frágil e manipulado por você, que não passa de uma metáfora. Você é só a minha própria voz, a voz de todas as minhas tristezas. Eu adorava quando você era calada, quando eu nem sabia quem era Rosa. Cala a boca, Rosa. Infeliz é você, sua desgraçada. Não se esqueça que você faz parte de mim. Em pensar que nasceu na alvorada dos meus dias e agora se esbalda em mim mostrando todos os meus defeitos. Por que fez isso, Rosa, consigo própria? Eu lembro como era feliz, como tudo corria bem. De repente virou-se contra mim, a Rosa que nunca vi ser. Eu não esperava que se tornasse amarga e negra, não mais a rosa Rosa que eu conheci um dia, mas quem sabe a primavera traga de volta todas as tuas cores que se foram por todas as dores que dividiu comigo. Como todo o ser vivo, nasce, cresce e morre, e você já está morrendo, Rosa. Pena que se vai tão amarga e doente, maldita Rosa. Mas assim que renascer, calma e mais descansada, poupe-me de teu veneno natural e me dê um pouco mais do seu buquê. Não quero mais ouvir todas as maldições do teu negro ferrenho em mim. Cala a boca, Rosa, eu já pedi. E não vou deixar de querer que você se torne mais sociável ou mais feliz. Se você quer terminar desse jeito, podre e destruída, azar o seu, mas não me envolva. Eu não quero mais te ouvir nem mais te acreditar. Vai pro inferno, Rosa, e me deixa em paz.

2 comentários:

Anônimo disse...

eu sempre fico encantado com a tua capacidade de dar sentimentos a palavras...
<333

Camilla disse...

Que lindo Viii

amo você mesmoooo!!!