quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

...mas eu gosto quando é você...

Eu odeio quando o telefone toca. Odeio aquela maldita campainha que grita aos meus ouvidos, berra uma melodia dos infernos e acaba com a minha calma e sossego. Sempre toca quando eu estou lendo, quando eu estou deitado, quando eu estou verdadeiramente ocupado ou quando eu estou quase pra entrar no banho. É sempre assim. Eu odeio quando o telefone toca, mas nada me deixa mais feliz quando ele toca e eu sei que é você.
Você pode tirar minha paz e meu sossego, me atrapalhar na hora do banho, tirar minha concentração da leitura (até porque você entra e sai da minha cabeça o tempo todo e eu nunca me concentro totalmente em nada). Ultimamente nada me deixa mais feliz do que quando você me “ atrapalha” nas minhas atividades que são um tanto quanto inúteis perto das suas. Pra falar a verdade, eu sento na cama e leio só pro tempo passar enquanto você não aparece por aí, contando as novidades do dia, falando que está meio cansado, o quanto que andou, o quanto que falou e eu ouço tudo como se estivesse escutando uma ópera, uma bossa. E a sua voz vai entrando, calminha, tirando todos os outros ruídos do lado de fora do mundo que eu crio quando você está no comando da vida real. E eu posso ficar assim por horas, horas, horas sem me irritar, sem querer desligar tudo e ir dormir. Posso ficar dias olhando e ouvindo, indo e vindo junto com você.
Eu odeio quando o telefone toca, mas eu confesso que eu espero sempre ansioso pra que ele toque logo.
Coisas estranhas... Coisas que só você consegue. Coisas que só você tem. Coisas que só você faz.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Com todo o amor que possa existir.

Faz alguns anos que eu conheci uma menina. Eu estava em um corredor escuro do colégio, junto com umas pessoas e aí apareceu essa menina. Magra, com o cabelo escorrido e pintado, uma maquiagem e correntes. As unhas roídas, o all star todo sujo e os olhos mais lindos que já vi. Ela precisava de carinho. Estava tão fechadinha nela mesma. Tinha um carinho, mas não era ainda o necessário. Não me lembro de ter a visto sorrindo naquele dia.
Por um jogo certo do destino, eu cruzei com essa menina na rua uma vez, assim, do nada. Falamos oi, mas foi só isso. Sem um beijo, sem um abraço. Apenas acenamos a cabeça e continuamos andando. Me lembro de ter olhado pra trás alguns segundos depois e de ter dado um sorriso de canto, abaixei a cabeça e pensei em como ela era linda. Alguma coisa de muito especial tinha, teve, tem.
Segui meu caminho. Ela seguiu seu caminho. Não sei por que, mas nossos caminhos acabaram se juntando. Eu não podia deixar ela ir. Não podia mesmo. Ficamos amigos, de verdade. Grandes amigos. Cantamos juntos musicas em italiano, trocamos poemas, falamos de escritores. Contei meus segredos, ela contou os dela, rimos muito, amarelamos nossos dentes com tanto café e cigarro. Eu me lembro de ter aprendido coisas lindas com ela. Ela me ensinou as coisas do mundo, as belezas, como ser e estar sempre feliz. Agora quando eu vejo uma rosa, consigo reparar em cada detalhe, em cada barulho que ela faz.
Essa menina me ensinou ver a vida de outro jeito. Com sua alma sensível, me ensinou tudo.
Houve tempos em que ela desaparecia um pouco. Falava que ia mas não ia, falava que ligava mas nunca ligou. Mas nossos caminhos nunca se descruzaram.
Chorei no ombro dela quando precisei, ri muito na casinha linda dela quando precisei, ouvi os melhores conselhos de todos quando precisei. Ela estava lá, sempre lá quando eu mais precisei. Não foram vários e vários dias de convivência, mas foram os dias certos.
Essa menina hoje me deixa cada vez mais orgulhoso. Ela é uma mulher, mas sempre vai ser a minha menininha. Minha princesinha do mar. Encontrou tudo o que poderia encontrar para ser feliz. E sempre mereceu isso. Isso e muito mais.
As saudades são tamanhas, claro. Dói. Agora, nesse exato momento em que eu escrevo, dói. É um choro entalado que eu não quero chorar, mas é inevitável.
Mariana, aqui escreve quem sempre será apaixonado por você, pela sua alma, pelo seu coração.
E como você me escreveu um dia “ Mesmo que se calem todos os pássaros, fecharei os olhos e abrirei um sorriso, porque sei que você ainda está aqui”
Nosso amor é como o vento, não posso ver, mas posso sentir.
Amo muito você. Amo de verdade!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Blergh

Mais uma vez quebrei meu salto ontem, naquela rua bizarra. Depois de tomar 7 garrafas de cerveja e meia garrafa de absinto, lá fui eu, como uma vadia suja que sou, andar por sabe Deus onde. Parei em um beco vomitado e nojento só para me sentir em casa. Minhas noites têm sido assim, sem propósitos, sem escolhas. Apenas um lugar onde eu me sento e choro todas as dores que eu sinto. Vejo-me sem lar, sem família, sem amigos, sem nada.
Como minha meia arrastão, todas as minhas idéias estão furadas e rasgadas. Minha afinada interioridade se rompeu com as drogas estranhas que tive que usar pra esquecer você.
- você é só mais uma vagabunda que eu comi.
Foi isso o que você me disse antes que me fizesse virar esse monte de merda.
Eu sempre soube que nunca fui uma mulher madura, esperta. Sempre fui uma coitadinha que sempre cai em mãos erradas. A sua foi a pior delas. Não sei mais onde enfiar tanta dor, tanta angústia, tanta lágrima.
Passei uma sombra, lápis nos olhos até ficarem negros como tudo dentro de mim. Meu batom que mancha o filtro do meu cigarro nunca poderia faltar. Mal arrumei o cabelo. Nessa noite eu tava com vontade de parecer uma louca. A louca vagabunda que nunca ninguém deu nada. Calças de couro, bolsa vermelha, salto 15 bem fino. Lá vai a puta, gritaram os vizinhos. Vai se foder velha virgem do caralho. Esse é meu único diálogo com a velha estúpida que mora do lado do meu canto.
O fato é que, em cada golada de cerveja, em cada tragada daquela coisa maldita que eu fumo, eu tento te esquecer. Cada vez que soluço de bêbada é uma leve dor que tento tirar ao lembrar de como era quando você ainda estava aqui. Até hoje não posso acreditar. Você não me tratou como eu merecia. Você não me deu um pingo de valor, mas eu sei que antes de você ir embora, se arrependeu. Agora fala aqui uma menina que nunca vai ser uma mulher. Porque eu queria ser a sua mulher, depois de ser a sua menina. Não tive tempo. Agora, em todas as noites, tento mascarar minhas dores com falsos sorrisos e vinhos baratos, pra ver se de algum jeito consigo sorrir à sua ausência. Não consigo. Por que quem eu amo sempre vai embora? Por que se tava dando tudo certo? Deus nunca foi justo comigo. Tirou-me de você da pior maneira que podia. Seu corpo, caído no chão, me assombra os sonhos até hoje. Mas, nunca vou me esquecer quando você disse, antes de partir: Desculpe se estou falando isso atrasado, mas nem eu sabia que era você o meu verdadeiro amor.

Quero entender porque isso aconteceu. Quero entender porque vocÊ se foi tão cedo, tão belo.
Agora em todas as noites eu sento na calçada, sozinha, bebendo na procura de alguma ajuda. Não vai cair do céu, não vai sair de mim. Só sei que dessa vez doeu mais do que eu imaginei.
Você também é o meu verdadeiro amor.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Amigo da vida.

Nada melhor do que ser e sentir-se livre. Andar por aí sem pensar em ninguém, em nada. Poder sentar em uma pedra e ter seu momento de solidão. Aqueles momentos em que você só quer ouvir o que você quer ouvir, e não o que te obrigam a ouvir. Nada melhor do que a liberdade. Sem angustias, sem ciúmes, sem dor, um vazio que faz bem.
Sai de mim.
Morri agora. Morri pro mundo e nasci pra vida. Sai de mim logo de uma vez, e não volte nunca mais. Agora sim. Sinto o cheiro do ar. O ar que vaga livre pelos cantos. Sinto o vento, de braços abertos, me deixando cada vez mais junto dele.
Eu morri pra você. Às vezes é bom morrer para alguns e renascer para si próprio.
Soltei minhas algemas. Arranquei a camisa de força. Sou mais um louco a solta, só fazendo cagadas. Cagadas sim. São elas que me deixam feliz. Adoro cagadas. Adoro as piores cagadas.
Minha linha da vida é pequena. A linha da vida é pequena demais para todos. Não vou ficar parado esperando o mundo rodar. Não vou ficar parado fazendo papel de idiota. Não vou ficar sentado vendo a chuva escorrer. Agora eu vou chover.
Não vou ficar deitado vendo o vento soprar. Agora eu vento. O vento venta em mim e eu vento no vento.
Parei de parar. Parei de sentar. Agora eu quero correr e recuperar o tempo perdido com todos os idiotas que me roubaram os dias.
Quem quiser pode vir junto. A vida está aí, sentada. Só ela que tem que ficar sentada. Ela está lá esperando para ver o que eu vou fazer com ela. Está só de olho. E é bom ela se preparar.
Agora vamos fazer tudo diferente. Eu e ela. A vida e eu. Vamos começar tudo outra vez, mas agora vai ser muito melhor.
Rir mais, claro.
Se é que isso é possível. Beber menos ? Não sei se vale a pena.
Ser cada dia melhor? Sem dúvida.
Vamos fazer dar certo. Realizar os sonhos.
Sempre que chegar a meia noite, terei a certeza de que meu dia valeu a pena.

“ Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí... “

domingo, 12 de outubro de 2008

A nice place.

Sabe, eu tava a fim de encontrar um lugar bacana pra ver um pôr do sol. Estava pensando nisso esses dias. Queria um lugar bem bonito, bem idiota, daqueles que aquelas menininhas meio tosquinhas sonham em encontrar pra poder deitar na grama com o príncipe encantado. Tirando a parte ridícula do príncipe encantado e da grama, eu queria mesmo um lugar desses. Um lugar que me desse paz, onde eu fechasse meus olhos e me visse por inteiro. Queria um lugar pintado a mão e dedicado só pra mim, pros meus momentos e pra tudo que eu tenho no coração.
Estava precisando de um lugar com cores. Várias cores. Sem muitas pessoas. Eu quero encontrar um lugar que eu possa sentar, não sentir o peso de 500 vacas em cima de mim, não sentir as lágrimas escorrendo e caindo molhando minhas pernas cansadas de só andar em círculos.
Quero encontrar um lugar onde eu possa ser aplaudido, e não ficar aplaudindo a vida maravilhosa das pessoas enquanto a minha continua parada. Quero encontrar um lugar pra me separar um pouco da dor da perda ou um lugar que me faça aprender a perder. Quero um lugar onde me reconheçam. Quero um lugar que me alivie as dúvidas. Será que vale a pena estar aqui? Será que é tudo mesmo do jeito que parece ser, ou as fantasias não fazem parte do real pessoal e particular? Quero um lugar onde exatamente isso aconteça. Quero um lugar onde as minhas fantasias sejam as minhas realidades. Todas elas, sem falta. Todas!
Estava procurando esse lugar, e acho que sei onde eu posso encontrá-lo. Vasculhando no profundo de mim mesmo. Estava entrando na minha alma e vi. Encontrei tudo dentro de mim. Dentro das minhas lembranças e dentro do meu futuro.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sem nome dessa vez.

Hoje vim dizer-te do ódio que sinto. Da vontade que tenho de ver-te no pior dos andares da vida, sem alma, sem nada. Quando pouso meus olhos nos teus, a vontade de esganar teu pescoço manchado de sol me domina. Se eu pudesse, arrancaria-te as entranhas com meus próprios dentes e as faria de comida para ti. Se eu pudesse expor-te como veio ao mundo, e deixar-te ao sereno gélido das noites malditas como tua alma, me sentiria o mais feliz dos seres. Pega tuas coisas e suma da minha vida. Não quero contagiar-me com teu mau afeto nem quero mais sentir tua respiração. Saber que respiras o mesmo ar que eu, arranca-me todas as alegrias. Pior, saber que respiras me faz querer não mais respirar. Se soubesses de como queria poder quebrar todos teus ossos, esmigalhá-los e dar teus restos mortais aos cães que não são de casa.Quero fazer de tua pele meu tapete e dos teus dentes instrumentos musicais. Quero da tua voz o silêncio e de tua alegria, o fim. Quero de tuas mãos arrancar as digitais e pô-las em exposição no lixo mais imundo que encontrar. Tudo isso por que me privas de todas as minhas canções. Pegou meu coração, amassou e jogou no lixo, com todos os meus sentimentos dentro. Com tua cara de monstro, sem coração nem afeto, pegou meu lado mais belo e o transformou em fera.Agora, agüenta saber que meus desejos são os piores possíveis, e que se puder ver-te caído por todo e sempre, me sentirei muito feliz.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Eu não me orgulho.

Cansei de ler jornal. É sempre a mesma coisa. Não sei quem matou uma senhora, corrupção na política e em quase tudo que se conhece, estupro, trânsito, poluição, o planeta está morrendo, etc, etc, etc. Pelo jeito um futuro cada vez mais excitante. Emoção não falta nos dias de hoje. Quer coisa mais emocionante do que sair pra comprar leite na padaria e correr o risco de levar um tiro por causa da bala perdida? Adrenalina, coração batendo mais forte, um barulho e poft, lá vai mais um coitado inocente pro cemitério. Ou ficou paralítico. O que é pior, não?
Há anos que o Brasil vem sendo o país do futuro. É, estou vendo. É o país do futuro do tráfico, da violência, do preconceito, da burrice, da ignorância. Aliás, o povo brasileiro sempre foi feito de trouxa. Desde o primeiro filho da puta que veio de Portugal já enganando os babacas brasileiros. Olha, eu tenho um espelho mágico. Quer trocar por alguns ouros que você tenha sobrando e que não queira usar?? E lá ia o babacão trocar, claro. Desde o início o povo brasileiro foi enganado, foi feito de otário. E como sempre, ficou quieto, fingiu que não era com ele. Conclusão, os anos passaram e os índios burros pelados evoluíram para índios burros com roupas. Óóóóótimo.
Eu não sinto orgulho de ser brasileiro, não. Assim como não sentira orgulho de ser cubano ou israelense. Mas, dos males o menos pior... Mas mesmo assim, sei que muitos vão ficar horrorizados e não vão concordar com a minha opinião, mas, foda-se. Acho o Brasil uma merda. Não me orgulho de filas em hospitais, não me orgulho de educação precária, não me orgulho de assassinato por causa de um saco de lixo no muro do vizinho, não me orgulho do jeitinho brasileiro, que aliás, é uma das coisas mais escrotas do mundo. Jeitinho brasileiro é o jeitinho vagabundo, a gambiarra, a coisa mal feita que passa desapercebida. Ai, credo... Imaginar que o Brasil vai pra frente do jeito que está é um sonho longe de se tornar real. Enquanto as pessoas não se manifestarem, enquanto as pessoas não gritarem e começarem a ver que essa putaria na política e em TUDO desse país de merda está acabando com a “ pátria amada”, vamos afundar cada vez mais na própria bosta que construímos dia- a- dia ficando calados.