sexta-feira, 1 de julho de 2011

a voz de mim

-Calma. Não precisa sentir medo. Senta e me conta tudo, me explica tudo, me fala o que acontece.

-Ah... São os dias. Os dias não rodam e não passam, as coisas não saem do lugar. O pó da mesa de TV está lá há semanas e eu não consigo limpar - Metáfora! É claro que eu consigo limpar – e as coisas estão estranhas. Eu estou seguindo em frente, caminhando conforme a música toca, mas eu vivo numa bossa triste, num jazz calado, numa orquestra sangrando de dor. Eu quero um carnaval, um samba alegre, uma valsa romântica, uma lambada sensual, intrigante. Eu quero mudar de lugar, de roupas, de casa, de gente, de identidade. Eu quero ser uma puta maluca gritando pela augusta sozinha à noite com as narinas brancas. Talvez eu queira um colo pra dormir, simplesmente. Algo em mim não está certo. E de manhã, enquanto me levanto, repito sempre pausadamente: “ Vai passar, vai passar. Isso, esse oco, vai passar”. Ainda não passou... Mas insistente eu digo: “Vai passar”. As coisas são mais fortes quando não estamos sozinhos. Talvez por isso seja tão difícil acreditar que vai passar, que vai passar... Eu me tranquei, sabe?

Hum... Se trancou pra quem e por quê ?

Eu me tranquei pra vida, me tranquei pro mundo, me tranquei pro amor, me tranquei pro medo de ser feliz pra sempre. Por que eu não sei, só sei que eu joguei a chave fora e agora só Deus sabe onde ela foi parar.

-Troca a fechadura. Às vezes é mais simples do que tentar procurar a chave.

-Heim?

-É isso. Tenta parar de procurar. Cadê a chave? Se você mesmo não sabe onde a chave está é porque a chave não existe mais. O que deixou de existir, não aparece, já se transformou em outra coisa, já virou outra vida, já está em um lugar que não pertence mais a você, como uma alma recém chegada ao seu destino final, pronta para outra história. O que sobrou então senão a sua fechadura?

-Heim?

-Você ainda não entendeu? Mas que inferno. Você se trancou pros sentimentos, pra vida, pros amores e jogou a chave fora. A chave é o de menos nisso. O que você precisa mesmo é trocar a fechadura, pra abrir uma nova porta. Você se acomodou nessa idiotice de achar que nada mais entra, que nada mais pode abrir a porta, que você está aí sentado morrendo aos poucos achando que nada mais faz sentido, achando que o mundo parou. Burrice sua! O mundo não parou ainda, e nem vai parar tão cedo. E se você não se mexer pra mudar essa história, o que vai tocar na sua vitrola vai ser pra sempre um sonzinho chato, clichê e desafinado. Se abre pra vida, se mexe, muda essa fechadura. Coloca uma maior, distribua chaves-mestres pro mundo, pra vida, deixe eles abrirem a sua porta, deixa a vida entrar. Essa fechadura velha é muito pequena pra tudo o que existe lá fora e você burramente está perdendo. O dia brilha antes da noite chegar. A lua clareia o céu escuro e você não consegue ver, porque só sabe olhar pra sua realidade chata e pequena. Tantas vezes tanta gente tentou arrombar essa porta lacrada pela sua fraqueza. Tanta gente tentou te ajudar de tantas formas e você, num ato baixo e egoísta pensou “ Estou fechado”. Como se colocasse um aviso de “ Não há vagas”. Se olha agora e veja o que virou. Um pedaço de carne que sobrevive, que só existe porque infelizmente – ao seu ver, infelizmente – ainda respira. Anda pra frente. Acorda ! O seu mundo parou, junto com a sua vida, mas o mundo ainda está aí. Quando você trocar a fechadura e souber que não existe mais chave nenhuma, o mundo vai entrar, a vida vai entrar. Deixa o sol, o céu e lua cumprirem o seu papel. Abra os olhos devagar pra nova realidade que só depende de você. Seja a puta maluca correndo por aí, seja o seu próprio colo pra dormir, mas nunca mais deixe de lado a beleza de ser quem você é. Todo mundo pode, com você não vai ser diferente. Eu sei o que te agrada, eu sei do que você precisa e eu sei até onde você pode chegar. Por isso, se segura em mim, se apóia em mim e deixa que eu te levo comigo. Mas não esqueça que eu só posso te acompanhar até uma parte, eu só posso te ajudar até um momento, porque o resto, amigo, é contigo !

-Poxa vida, quem diria. Deveria te escutar mais vezes. Quem diria que eu soubesse tanto de mim...

domingo, 29 de agosto de 2010

confusões

Eu olhei, durante muito tempo e em silêncio, a sua foto. Mantive-a por muito tempo no porta retratos da minha mesa, na sala. Sentava naquela cadeira marrom, apoiava as pernas na mesinha de centro indiana e podia ficar horas e horas e horas olhando no fundo dos olhos mais lindos que já havia visto. Assim como eu dizia a você, eu pensava comigo, que nunca na minha vida havia visto olhos tão lindos, tão densos, olhos que me faziam ficar em silêncio, como ando ficando ultimamente.
E sentado nesta cadeira, com os pés apoiados nessa mesa,vez ou outra abro a cortina e olho pra rua, vendo a chuva que demora a passar. Caindo leve, consigo ouvir o barulho de cada gota, como se cada gota fosse um passo a mais pra solidão dos dias acumulados da minha existência. Definiria exatamente assim. Minha vida não passa de dias acumulados, em que eu plenamente existo, mas minha alma, torta e amassada, há tempos não existe mais. E como me dói olhar a rua, olhar a lua da janela do meu quarto, andar por aí sem certezas, sem sentimentos. Você levou tudo contigo. Às vezes tenho a sensação de que todas as cores de tudo o que eu já havia visto, hoje estão contigo, longe de mim. Como se cada sorriso que tinha dado estivessem presos na sua mão. Acho que é porque isso que anda difícil sorrir. Sinto como se tudo tivesse apagado mesmo, sabe ?! Tudo anda tão sem graça. Bares, cinemas, zonas, festas, porres. Tudo apagou, minguante como a lua no último dia em que te vi.
Um aperto.
Saudades.
Cama vazia.
Olhos perdidos.
Sem direção.
Caminhando no vazio.
Solidão.
Medo.
Pavor.
Angustia.
A boa e velha nostalgia.
Mas nada pior do que a decepção. Lembro que nos primeiros momentos tinha você como um diamante. Pedra bruta, valiosa. Mas aos poucos, fui vendo que esse diamante era vidro. Falso. Sem valor. Essa foi a decepção maior que já havia sentido. O pior nem é o diamante e seu valor. O pior são as crenças. São as coisas que se firmam na nossa cabeça e que nos faz pensar que isso ou aquilo ou aquilo outro faz a diferença, mas não faz. Nesse mundo de cobras e peçonhas, nada faz sentido. Nada é de verdade. Uma gota de bile ou uma lágrima que escorra de leve, sangrando, cortante, não estão lá. Na dor, nada é real. Muito menos na felicidade. São acasos, são mentiras, são suposições que nos fazem viajar a um momento onde buscamos a felicidade e o sorriso sincero, mas de repente, com um soco do destino, despencamos desse lugar e caímos na realidade. A realidade cruel onde vemos que tudo foi um sonho. Que a única verdade é a dúvida.
Se não houver amor, por qualquer motivo que seja, nunca haverá paz. E eu não digo aquele amor fofinho. Homem mulher. Homem homem. Mulher mulher ( talvez esses últimos os mais difíceis), mas digo qualquer amor. Entre amigos, entre você e uma planta que seja, entre Deus e o inferno. Qualquer tipo de sentimento que te faça erguer a cabeça e seguir em frente, sem saber se o que você está fazendo é certo ou errado.
Talvez haja muita confusão em tudo o que eu penso e em tudo o que eu sinta. Talvez já seja a hora de dormir e parar de pensar em coisas do tipo. Esquecer que algum dia existiu a dor. Esquecer que algum dia houve alguém. Esquecer que em algum momento uma lágrima escorreu e um sentimento murchou. Esquecer que em algum dia eu falei sozinho sobre coisas lindas enquanto você olhava pro lado.
Talvez eu não quisesse ser como eu sou ou quem eu seja. Talvez quisesse ser outro, amar diferente. Mas esse sou eu. É assim que eu penso e é assim que eu amo. E eu sei que um dia eu vou descansar. Eu sei que um dia eu vou deitar e sorrir porque lá no fundo, alguma coisa vai fazer sentido. As coisas não existem. Simplesmente o tato não existe. O olfato não existe. O paladar não existe. As coisas por si só não existem. Nós as fazemos, do jeito que nos é melhor.

Agora chegou a hora de ser feliz.

terça-feira, 29 de junho de 2010

banco.

Era você quem me despia de leve. Era você quem me despia, mordia-me. Era você quem me excitava e passava a língua pelo meu corpo e me arranhava. Carnal e sem sentimento, era você quem me fazia jorrar em prazer e dor. Aquela dor. A dor de sempre, velha dor. Enquanto você trepava e metia eu amava silenciosamente, discretamente. Eu te amava calado e em segredo. Queria mostrar-me forte, atrevido. Queria que você pensasse que eu levava como você levava, mas eu amava.
Enquanto suas pernas ficavam tremulas depois de saciar seus desejos comigo, eu permanecia sentado, olhando seu corpo, branco, forte e delicado ao mesmo tempo. Aos poucos íamos recolhendo as roupas, calados, cansados. Nos despedíamos . Cada um para o seu lado.
No caminho para a minha casa havia uma praça. Num banco, o mesmo banco de sempre, eu me sentava e olhava o sol morrendo aos poucos. Sentia-me o sol virando a noite, apagando a cada minuto que se passava. Eu fechava os meus olhos e sentia o seu perfume passando, sentia o gosto do desejo que saía da sua boca pelas palavras, pelos beijos, pelas mordidas, pela língua. Sentado no banco eu pensava como jogava fora o meu lado mais lindo por você que não se atrevia a falar nem um “ muito obrigado”. Talvez a pior coisa a se ouvir depois de transar com alguém, mas pelo menos era alguma coisa, alguma palavra.
Permanecia imóvel no banco, olhando para as minhas mãos. Apanhava um fósforo, acendia um cigarro e olhava a primeira estrela. Aquele deserto batendo junto ao peito. A idéia de ser parte de um jogo, de uma brincadeira. Eu o amava em segredo, sim, e não o culpo. Se cada amargo da minha vida existe, não é por culpa dele, é por minha. Eu achava que era amor, mas era o oposto. Não existia amor algum em nada que vinha de mim. Não se pode falar em amor se nunca viveu um. Se nem sabe o que é isso. Quer merda é essa? De onde veio?
Sentado no banco me perguntava como seria ser amado por alguém, algum dia. Amar eu sabia o que era, mesmo que em silêncio, mesmo que sozinho.
Eu queria tanto que você crescesse dentro de mim. Queria que você explodisse e me desejasse e me amasse e que cada gemido e cada grito fosse um grito real, de quem goza por prazer e desejo, não por aventura. Era isso o que eu era. Uma aventura. E eu não queria ser, muito pelo contrário. Eu queria que você me desejasse de verdade. Queria que você me esperasse sair do trabalho e fosse comigo até o outro lado da rua sentar num boteco e tomar uma cerveja no fim do dia. Queria que você apanhasse uma flor do chão, num gesto engraçado, e me desse uma florzinha amassada e despetalada, que fosse.
Permanecia sentado no banco. As horas passando, correndo com o vento do inverno que se iniciava naquela mesma noite. Eu acendia outro cigarro, tragava, tragava. Tragava com dor, tragava com ódio. Aos poucos as lágrimas geladas percorriam meu roto até salgar minha boca. Era a dor que me fazia chorar. Eu queria entender porque você fazia aquilo comigo e porque eu permitia aquilo comigo mesmo. Não era justo.
Eu estava decidido, sentado no banco, que nunca mais me entregaria assim. Jamais. Eu decidi que jamais encostaria meu corpo no seu e que jamais diria seu nome, pensaria em seu nome ou escreveria seu nome. Não queria. Definitivamente não queria.
Levantei-me do banco e desci a pequena escada de 4 degraus. Ao último passo você me ligava. Eu atendia, dava meia volta e me entregaria. Te amaria. Te olharia dormir em silêncio, até o próximo dia, onde eu sentaria no banco e morreria junto ao sol.

quarta-feira, 17 de março de 2010

De tão grande o sentimento, nao cabe um titulo sequer

Era estranho e triste. Lindo, estranho e triste. Um dia você tão perto, no outro você já morto. Foi um abraço eterno que selou minha alma na sua. Aquele abraço, naquela noite, que até hoje sinto, guardou a sua alma dentro da minha. Meus passos seguiram um rumo, os seus passos, outro. Distante de mim, distante de você, mantemo-nos.
Entramo-nos um no outro, com igual velocidade em que criamos um vácuo num sentimento findado ou não. Nunca se sabe qual tipo de final pode ter uma história que mal começou. Talvez já seja findado, talvez o fim seja inesperado ou distante demais para ser calculado. Só sei que hoje, sentado nessa mesma cadeira em que escrevi tantas coisas, hoje bateu um coração triste. A sensação de ter sobrado apenas uma foto e um porta – retrato quebrado. Nas minhas mãos um cigarro, um toque leve de adeus, um sorriso falso no rosto e a mentira de acordar todos os dias feliz, pensando em como seria se talvez desse certo um dia. E o pior é exatamente essa dúvida. Saber se algum dia vai ser. Enquanto isso, permaneço preso ao seu coração, onde me encontro diferentemente solto.
Aqui sentado, pareço esperar por algum dia poder ter de volta aquele velho abraço que ficou naquela noite. Já antiga noite. Passadas horas que passaram como uma eternidade. Seu coração mais acelerado que o normal, suas mãos tão fortes, seu sorriso tímido, escondido no escuro. Suas pernas descobertas. Lembro-me de cada detalhe, de cada pedaço de você, perfeitamente. Cada objeto, cada frase, cada movimento. Lembro como em uma fotografia.
Um dia eu prometi fazer alguém feliz de fato, e sem querer escolhi você. Jamais vou saber se tenho tanta força pra isso. Despertar momentos especiais não é pra qualquer um. Levar você até um lugar alto, verde, pegar o momento exato do melhor pôr – do – sol e falar bem baixinho “ Eu te amo”. Encontrar uma flor sólida no chão frio de asfalto e lembrar de você, como se fosse um pingo de luz nos olhos sem esperanças que carrego agora. Compor um poema, escrever cartas, fazer loucuras, talvez. Não sou de loucuras, mas as faria. Faria porque seria para você. Sei que essas promessas eu nunca fiz. Mas as faço agora. E eu prometo que um dia sorriremos juntos, com as pernas cruzadas em uma cama num apartamento por aí.
Um dia o sonho repetitivo de minhas noites tornar-se-á realidade. Minha alma vai outra vez respirar a sua e brindar à felicidade eterna de quem amou só por um toque, só por um momento de um dia findado.
“Preciso não dormirAté se consumarO tempo da gente.Preciso conduzirUm tempo de te amar,Te amando devagar e urgentemente.
Pretendo descobrirNo último momentoUm tempo que refaz o que desfez,Que recolhe todo sentimentoE bota no corpo uma outra vez.
Prometo te quererAté o amor cairDoente, doente...Prefiro, então, partirA tempo de poderA gente se desvencilhar da gente.
Depois de te perder,Te encontro, com certezaTalvez num tempo da delicadeza,Onde não diremos nada;Nada aconteceu.Apenas seguireiComo encantado ao lado teu.”

domingo, 15 de novembro de 2009

" Me ensina a não andar com os pés no chão..."

Sozinho. É assim que eu me sinto. Me sinto sozinho. Sozinho como se estivesse jogado no fundo de um baú. Sozinho, como se fosse uma foto de polaróide, apagando pouco a pouco, sendo lembranças, ou nem isso. Às vezes me pego segurando a minha própria mão. Me pego acariciando os meus cabelos, até dormir. Me pego cantando músicas, como se estivesse preparando a mim mesmo para sonhos novos, felizes. Queria viver num sonho. Como eu queria entrar dentro de um dia feliz que eu tive há muito tempo atrás. Entrar nesse dia e permanecer lá até cansar de ser feliz. Depois eu volto pra minha vidinha corrida de sempre. Queria poder olhar bem fundo pra você outra vez. Passar um domingo todo reclamando do calor e tomando sorvete de duas bolas e aquela calda de chocolate.
Exijo tanto do mundo. Exijo tanto da minha alma e de mim, mas nunca tenho forças pra andar até o ponto final. Acho que sou louco quando me pego sonhando acordado com um mundo ideal sabendo que esse mundo só pertence a quem tem um coração de fato. Eu não tenho mais nada. Só uma casca oca e seca. Não pulsa, não vive, não faz circular em mim o sangue quente. Está frio;morto e enterrado.
Eu era. Sempre fui. Mas eu nunca serei. Acho que agora eu sou passado. O presente não me serve, o futuro não existe. A única coisa que posso ter em mãos é o passado. Antes eu tinha você pertinho. Todas as vezes que eu pensava assim, você me dava a esperança outra vez. Mesmo quando você só olhava pra mim, sem falar nada. Mesmo quando você me ligava e não era pra falar comigo. Todas as vezes em que eu te via acordando pra tomar café da tarde, você me dava a esperança outra vez. Você me ajudava a caminhar, você me ajudava a ver as coisas com um olhar mais claro, mais sensível. Agora, onde estão seus olhos? Queria saber para assim encontrar os meus.
Me sinto sozinho. Sozinho como se fosse a última folha a cair de uma árvore no outono. Mal vejo a hora de despencar desse galho gélido e dolorido em que eu estou preso. Essa árvore morta que a vida colocou no meu caminho.
Me sinto sozinho. Sozinho como a primeira flor que desabrocha na primavera. Mas há uma diferença entre a folha seca que espera ansiosa pra despencar. Há uma diferença entre a flor que espera sozinha a primavera acontecer. A folha cai e encontra o seu caminho. As outra flores desabrocham e se encontram em paz. Já eu, não despenco do que me prende. Eu não encontro a minha flor. Agora, eu perdi o meu jardim, as minhas estações, eu perdi a graça, eu perdi você.
Há uma coisa aqui dentro que habita desde o dia em que você se foi. Essa coisa é você. Você me dói demais. E acho que nesse exato momento, o que mais me mantém vivo é a sua vida em mim.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Avesso

Não. Não diga mais nada. Nem que quer, nem que esquece, nem que ama nem que nada.
Feche e penetre o silêncio em meus ouvidos, eternamente.
Deixe-me escutar apenas o som do seu nada alegre e triste.
Seja esse silêncio puro e agradável, que não quebra o ruído calmo e mágico das flores se abrindo, acolhendo as doces saqueadoras de mel .
Se a sua voz estragar o lento som do vento nos galhos do jardim, te desejarei o eterno fim, bem longe. Longe de mim.
Eu quando eu acordar, caso você esteja ao meu lado, não suspire, não respire, não se mova. Não estrague meu momento de sentir meus ossos esticando, meus músculos acordando e os leves raios de sol penetrando no quarto escuro, tomado de sonhos e desejos nunca findados.
Há tempos que você não é mais a coisa mais linda da minha vida.
Faz tempo que não sinto em você a pureza de quando vejo uma fêmea lambendo o seu filhote. Os teus olhos não se tornam mais estrelas brilhantes na face do seu céu. Tornam-se apenas olhos, atrás de vidros.
Quando eu comparava seus cabelos ao toque macio da seda não percebia que seus cabelos são apenas cabelos, fracos e secos, como qualquer cabelo.
Eu te punha em altos andares. Via você como a mais mágica canção composta, o mais lindo poema. Via o seu sorriso como o meu guia. Hoje, vejo o seu sorriso como mais um sorriso amarelado de cigarros e mentiras.
Não pense que te direi adeus, até nunca.
Não pense que guardarei de ti um lindo sonho, uma magia.
Também não pense que te desejarei o mal, a morte.
Seja apensa o seu avesso, para ser algum agrado
Eu só desejo o seu silêncio. Seja só o meu silêncio para que continues sendo o que sempre foi
Um sonho longe, distante, impossível de ser alcançado.
Será melhor assim.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A luz apagou...

Você se foi. Se foi dos meus braços, dos meus olhos, se foi para sempre.
Nunca mais vou poder te abraçar, afofar seu cabelinho loiro e ouvir você cantando desafinado e lindo sempre a mesma música, enquanto faz o melhor feijão de todos.

Como será que eu posso expressar todo o meu amor por você ?
Como eu posso expressar essa dor sem limites, essa dor traiçoeira e maldita que apunhala, que machuca lá no fundo ?
Como eu posso entender ?
Como eu fui perder você ?
E agora, como vai ser ?
Só sei que eu estou decidido a te dedicar todos os meus dias. Tudo o que eu conseguir, tudo o que eu conquistar, todas as minhas alegrias, serão para e por você.
Sinto em meu peito um buraco escuro e frio. Mas ao mesmo tempo sinto em minha alma o calor da sua. Em meu sorriso apagado, surge o seu sorriso contagiante e lindo, seu sorriso que era sempre sincero e marcante. Em meus olhos cheios de lágrimas, seus lindos olhos azuis. Azulzinhos que, como um acordo com seu sorriso, se fechavam e sua gargalhada corria solta pelo mundo. Como eu gostava de te ver sorrindo. E dentro do meu coração fraco, agora palpita o seu coração, forte, enorme, alegre. Dentro dos meus passos sem destino agora habitam os seus passos firmes e fortes. Seus passos decididos, que corriam pelo seu jardim, que corriam pela farmácia e pela padaria e pela vida. Sua mágica e incrível vida.
Como foi difícil te ver dormindo. Te ver deitadinha lá. Que aperto.
Sua mágica e incrível vida terminou. Parte dela. Mas sua vida continua dentro de mim.
Te espero em meus sonhos.

E, como me dói dizer isso só agora, pois a vergonha me impossibilitou de dizer isso, mas sempre me foi fiel e persistente esse sentimento: eu amo você.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Promete

Adivinha. Adivinha se eu não estou me sentindo sozinho! Adivinha. Me sento com as pernas cruzadas e os olhos voltados pro nada pensando em você o tempo todo... Não me deixa mais sozinho, por favor.
Dói. Aqui dentro dói de verdade. Eu não queria que fosse assim. Eu não queria ser tão distante, ser tão difícil. Eu não queria que fosse tão impossível. Tudo tão perto, tão do lado, mas ao mesmo tempo tão lá longe, lá no inferno, lá fora de mim.
Fica comigo. Me abraça forte e não me solta mais. Me segura. Olha pra mim e promete que eu vou ter sempre esses olhos me guiando, essas mãos escrevendo pra mim, esse ombro que me carrega, essa boca que sustenta a minha alma que a qualquer momento pode se quebrar em 20 mil pedaços sem sentido algum. Promete que quando eu te ligar você ainda vai atender e que nada nunca vai mudar. Promete?
Promete pra mim que vai ficar, custe o que custar, me esperando sair de casa, cruzar o portão amarelo e seguir sempre em frente com você. Promete?
Eu tenho medo do que possa acontecer. Tenho medo de perder, medo de ganhar, medo de ficar igual. Tenho medo de que tudo acabe como sempre acabou. Medo que seja mais um rasgo no meu peito, uma das feridas que aparecem sem necessidade, mas que sempre estão lá. Inflamam, pesam, machucam, matam pouco a pouco, dia a dia. Eu tenho medo de acabar sozinho outra vez. Passar mais noites em claro, mais dias sem graças, mais horas sem vida. Eu quero você. Eu quero você agora. Mas tenho medo de não conseguir, de não poder.
Há tantos contigo, aí perto, aí do lado. Tantos que podem te mandar pra longe de mim. São tantos em tantas noites que passam do seu lado. E eu sempre distante. E só de pensar que um desses pode ganhar o seu coração e arrancar de mim, com as mãos, o seu nome que já está grudado aqui dentro, eu fico me sentindo incapaz de ser feliz. Só de pensar que os seus passos podem se desviar dos meus, me sinto sem passo algum.
Fica comigo só um pouquinho. Um pouquinho só. Um segundo. Eu prometo que vou ser feliz assim. Prometo!

Promete?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

calçada.

Esse assunto começou em uma conversa. Parei para pensar e vi. Parei e vi como por aqui anda tudo meio vazio demais. Sem inspiração, sem momentos, sem som. Tudo no escuro, no silêncio. Eu acordei no frio, com o rosto inchado, olhos vermelhos por dentro de tanto me pegar pensando em como as coisas ficam sem graça todas as vezes que eu olho pro mundo e vejo que estou sempre sozinho. É a mesma história de sempre. A mesma história de querer ter e não poder, de ter e se enganar. E no fim, sempre dói.
O inverno é a pior estação. Do outono até o inverno.Mas no inverno é pior. Fico sem o calor que eu sempre preciso, tomando café atrás de café, pensando que é sempre no inverno que eu sinto a sua falta. Porque foi bem no inverno que eu dormi pela primeira vez contigo. A primeira vez que eu sonhei. Eu precisava disso. Precisava da sua proteção, da sua presença. Precisava, preciso, quero. Cansei dessa cama vazia o tempo todo. Cansei da minha alma vazia o tempo todo. Cansei de mentiras, ilusões. Cansar de achar uma coisa e ser outra completamente diferente. Depois, dia após dia, eu me arrependo de ser um babaca idiota que saiu por aí acreditando no que me falaram, pensando sempre que é... É. Essa única letra, a mais dolorida. É. No fim nunca é porra nenhuma. Nunca é, nunca foi e nunca vai ser.
A calçada anda sendo minha fiel companheira. Sentado nela, tentando enxergar alguma estrela, alguma belezinha escondida no céu escuro. Eu vejo uma pontinha brilhante que talvez seja o que chamam de esperança. Uma única pontinha brilhante no céu. Uma única, pequena e brilhante estrela que pode ser a salvação da minha tristeza. Minha companhia. Só tenho medo que o seu brilho já tenha morrido e que o que eu vejo, esteja há anos luz morta.
Minha estrela derradeira espalhada num céu negro, que não seja a última. Que não esteja já morta.
E quanto à calçada, te encontro em breve.
E quanto aos sentimentos, quanto à maldita sensação de ter tão perto mas não ser meu. Em ter seus olhos assim,pertinho, mas não poder olhar dentro deles. Essa sensação de que você está aqui, mas eu não consigo segurar e que cada vez você vai mais longe e mais longe e mais longe. Eu não quero que você morra, não quero que a sua luz se apague. Não quero ver apenas o seu reflexo deixado no meu espelho. Quero que você fique, se você puder me esperar. Quero sentir o seu abraço pelo menos mais uma vez. Você perto. Você em mim.
Uma estrela derradeira de olhos negros... A incerteza batendo outra vez.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

dói.

E então, em um belo dia de sol, ele atravessou a rua e foi embora. O céu estava azul como eu nunca tinha visto antes. O sol parecia sorrir daqueles que procuravam uma sombra. Mas ele entrou no carro, ligou o rádio, arrumou os espelhos e foi embora. Caralho. Eu fiquei da porta vendo ele se distanciar bem lentamente, como se fosse de propósito, como se quisesse trazer mais dor e mais dor e mais dor. E dessa vez eu vi que o tempo lindo lá fora não reflete na tempestade aqui dentro. Enquanto o sol brilha e as pessoa andam pensando em nada na praça, aqui dentro chove. Chove, neva, petrifica cada centímetro inabitado do meu coração sem graça. Ele parece um trapinho. Fica dentro do armário e às vezes eu lembro de tirar, uso um pouco e guardo outra vez. Está com cheiro de mofo, todo verde e furado. De fato parece um trapinho. Meu coração parece um trapinho sujo e amassado. - Alou? Onde você está? Heim? Não consigo te ouvir. Você está ouvindo música? Alou? Alou, cacete! Ele desligou... Volta pra casa, vai? Volta pra casa, por favor! Dormir abraçando o travesseiro me corta a alma por inteiro. Volta pra mim. Volta pra nós. Vamos reviver a sensação gostosa do primeiro beijo. Faz tempo que eu não vejo a beleza da música que antes era linda. Faz tempo que eu não escrevo de amor como antes. Faz tempo que eu não escuto os sons, não sinto a vida. Volta pra mim. Ainda agora mesmo eu fechei meus olhos e senti a sua mão pequena segurando a minha, como naquela noite quente de janeiro em que os seus olhos pareciam pintados à mão e as suas palavras entravam com calma dentro de mim e todos os seus beijos entravam calados e minha pele gritava, meu coração explodia, meus pêlos arrepiavam e tudo em mim entrava em uma ebulição continua. Volta pra casa. Eu sento em frente ao interfone e espero você chegar. Eu olho pela janela do quarto enquanto a lua espera que eu faça algum elogio pra ela, mas ela não tem me chamado a atenção ultimamente. Eu quero gritar. Sair pela rua e gritar como um louco. Quero sair e gritar o quanto eu amo você. Esse grito contido me sufoca. Eu quero gritar que as saudades entram em mim como se fosse ferro quente queimando meu coração. Essa angustia de não saber onde você está, que roupa usou, como foi seu dia. Essa maldita dor. Por isso eu odeio amar. Já cansei de perceber que eu não estou pronto pra isso. Amar dói demais pra mim. Não deveria, mas dói. É lindo, é sublime, é incrível e encantador, mas dói. Não quero sofrer. Não quero mais ficar esperando por você enquanto você não vem. Não quero mais cair de bêbado na rua porque você simplesmente resolveu ir embora naquele tal dia de sol. Eu já pedi tantas vezes. Por favor, volta pra casa. Prometo que eu faço tudo direitinho dessa vez. Prometo levar café na cama e dar bom dia sempre de bom humor. Prometo que não fumo mais no quarto. Eu sei que você tem alergia e prometo que eu não vou mais fazer você ficar espirrando o tempo todo. Eu juro que vou segurar sua mão, olhar bem lá na sua alma e falar com todo o meu coração que você é a coisa mais importante da minha vida e que cada vez que eu vejo você, meu coração bate de volta. Meu trapinho bate de volta. E que todas as vezes que você chegar cansado ou de mau humor, vou ficar quietinho, lendo um livro e esperar a hora de você olhar pra mim, dar um sorriso, me chamar pra deitar contigo e, finalmente, começar a falar e rir mais ainda. Eu prometo que vou regular a água do chuveiro naquela temperatura que você gosta e que não vou mais esquecer alguma roupa molhada do seu lado da cama. Ainda estou aqui, sentado na cama de pernas cruzadas, fumando o ultimo cigarro do maço e secando as vadias lágrimas que eu insisto em derrubar. E quando você chegar, pode entrar sem bater. Boa noite.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

...mas eu gosto quando é você...

Eu odeio quando o telefone toca. Odeio aquela maldita campainha que grita aos meus ouvidos, berra uma melodia dos infernos e acaba com a minha calma e sossego. Sempre toca quando eu estou lendo, quando eu estou deitado, quando eu estou verdadeiramente ocupado ou quando eu estou quase pra entrar no banho. É sempre assim. Eu odeio quando o telefone toca, mas nada me deixa mais feliz quando ele toca e eu sei que é você.
Você pode tirar minha paz e meu sossego, me atrapalhar na hora do banho, tirar minha concentração da leitura (até porque você entra e sai da minha cabeça o tempo todo e eu nunca me concentro totalmente em nada). Ultimamente nada me deixa mais feliz do que quando você me “ atrapalha” nas minhas atividades que são um tanto quanto inúteis perto das suas. Pra falar a verdade, eu sento na cama e leio só pro tempo passar enquanto você não aparece por aí, contando as novidades do dia, falando que está meio cansado, o quanto que andou, o quanto que falou e eu ouço tudo como se estivesse escutando uma ópera, uma bossa. E a sua voz vai entrando, calminha, tirando todos os outros ruídos do lado de fora do mundo que eu crio quando você está no comando da vida real. E eu posso ficar assim por horas, horas, horas sem me irritar, sem querer desligar tudo e ir dormir. Posso ficar dias olhando e ouvindo, indo e vindo junto com você.
Eu odeio quando o telefone toca, mas eu confesso que eu espero sempre ansioso pra que ele toque logo.
Coisas estranhas... Coisas que só você consegue. Coisas que só você tem. Coisas que só você faz.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Com todo o amor que possa existir.

Faz alguns anos que eu conheci uma menina. Eu estava em um corredor escuro do colégio, junto com umas pessoas e aí apareceu essa menina. Magra, com o cabelo escorrido e pintado, uma maquiagem e correntes. As unhas roídas, o all star todo sujo e os olhos mais lindos que já vi. Ela precisava de carinho. Estava tão fechadinha nela mesma. Tinha um carinho, mas não era ainda o necessário. Não me lembro de ter a visto sorrindo naquele dia.
Por um jogo certo do destino, eu cruzei com essa menina na rua uma vez, assim, do nada. Falamos oi, mas foi só isso. Sem um beijo, sem um abraço. Apenas acenamos a cabeça e continuamos andando. Me lembro de ter olhado pra trás alguns segundos depois e de ter dado um sorriso de canto, abaixei a cabeça e pensei em como ela era linda. Alguma coisa de muito especial tinha, teve, tem.
Segui meu caminho. Ela seguiu seu caminho. Não sei por que, mas nossos caminhos acabaram se juntando. Eu não podia deixar ela ir. Não podia mesmo. Ficamos amigos, de verdade. Grandes amigos. Cantamos juntos musicas em italiano, trocamos poemas, falamos de escritores. Contei meus segredos, ela contou os dela, rimos muito, amarelamos nossos dentes com tanto café e cigarro. Eu me lembro de ter aprendido coisas lindas com ela. Ela me ensinou as coisas do mundo, as belezas, como ser e estar sempre feliz. Agora quando eu vejo uma rosa, consigo reparar em cada detalhe, em cada barulho que ela faz.
Essa menina me ensinou ver a vida de outro jeito. Com sua alma sensível, me ensinou tudo.
Houve tempos em que ela desaparecia um pouco. Falava que ia mas não ia, falava que ligava mas nunca ligou. Mas nossos caminhos nunca se descruzaram.
Chorei no ombro dela quando precisei, ri muito na casinha linda dela quando precisei, ouvi os melhores conselhos de todos quando precisei. Ela estava lá, sempre lá quando eu mais precisei. Não foram vários e vários dias de convivência, mas foram os dias certos.
Essa menina hoje me deixa cada vez mais orgulhoso. Ela é uma mulher, mas sempre vai ser a minha menininha. Minha princesinha do mar. Encontrou tudo o que poderia encontrar para ser feliz. E sempre mereceu isso. Isso e muito mais.
As saudades são tamanhas, claro. Dói. Agora, nesse exato momento em que eu escrevo, dói. É um choro entalado que eu não quero chorar, mas é inevitável.
Mariana, aqui escreve quem sempre será apaixonado por você, pela sua alma, pelo seu coração.
E como você me escreveu um dia “ Mesmo que se calem todos os pássaros, fecharei os olhos e abrirei um sorriso, porque sei que você ainda está aqui”
Nosso amor é como o vento, não posso ver, mas posso sentir.
Amo muito você. Amo de verdade!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Blergh

Mais uma vez quebrei meu salto ontem, naquela rua bizarra. Depois de tomar 7 garrafas de cerveja e meia garrafa de absinto, lá fui eu, como uma vadia suja que sou, andar por sabe Deus onde. Parei em um beco vomitado e nojento só para me sentir em casa. Minhas noites têm sido assim, sem propósitos, sem escolhas. Apenas um lugar onde eu me sento e choro todas as dores que eu sinto. Vejo-me sem lar, sem família, sem amigos, sem nada.
Como minha meia arrastão, todas as minhas idéias estão furadas e rasgadas. Minha afinada interioridade se rompeu com as drogas estranhas que tive que usar pra esquecer você.
- você é só mais uma vagabunda que eu comi.
Foi isso o que você me disse antes que me fizesse virar esse monte de merda.
Eu sempre soube que nunca fui uma mulher madura, esperta. Sempre fui uma coitadinha que sempre cai em mãos erradas. A sua foi a pior delas. Não sei mais onde enfiar tanta dor, tanta angústia, tanta lágrima.
Passei uma sombra, lápis nos olhos até ficarem negros como tudo dentro de mim. Meu batom que mancha o filtro do meu cigarro nunca poderia faltar. Mal arrumei o cabelo. Nessa noite eu tava com vontade de parecer uma louca. A louca vagabunda que nunca ninguém deu nada. Calças de couro, bolsa vermelha, salto 15 bem fino. Lá vai a puta, gritaram os vizinhos. Vai se foder velha virgem do caralho. Esse é meu único diálogo com a velha estúpida que mora do lado do meu canto.
O fato é que, em cada golada de cerveja, em cada tragada daquela coisa maldita que eu fumo, eu tento te esquecer. Cada vez que soluço de bêbada é uma leve dor que tento tirar ao lembrar de como era quando você ainda estava aqui. Até hoje não posso acreditar. Você não me tratou como eu merecia. Você não me deu um pingo de valor, mas eu sei que antes de você ir embora, se arrependeu. Agora fala aqui uma menina que nunca vai ser uma mulher. Porque eu queria ser a sua mulher, depois de ser a sua menina. Não tive tempo. Agora, em todas as noites, tento mascarar minhas dores com falsos sorrisos e vinhos baratos, pra ver se de algum jeito consigo sorrir à sua ausência. Não consigo. Por que quem eu amo sempre vai embora? Por que se tava dando tudo certo? Deus nunca foi justo comigo. Tirou-me de você da pior maneira que podia. Seu corpo, caído no chão, me assombra os sonhos até hoje. Mas, nunca vou me esquecer quando você disse, antes de partir: Desculpe se estou falando isso atrasado, mas nem eu sabia que era você o meu verdadeiro amor.

Quero entender porque isso aconteceu. Quero entender porque vocÊ se foi tão cedo, tão belo.
Agora em todas as noites eu sento na calçada, sozinha, bebendo na procura de alguma ajuda. Não vai cair do céu, não vai sair de mim. Só sei que dessa vez doeu mais do que eu imaginei.
Você também é o meu verdadeiro amor.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Amigo da vida.

Nada melhor do que ser e sentir-se livre. Andar por aí sem pensar em ninguém, em nada. Poder sentar em uma pedra e ter seu momento de solidão. Aqueles momentos em que você só quer ouvir o que você quer ouvir, e não o que te obrigam a ouvir. Nada melhor do que a liberdade. Sem angustias, sem ciúmes, sem dor, um vazio que faz bem.
Sai de mim.
Morri agora. Morri pro mundo e nasci pra vida. Sai de mim logo de uma vez, e não volte nunca mais. Agora sim. Sinto o cheiro do ar. O ar que vaga livre pelos cantos. Sinto o vento, de braços abertos, me deixando cada vez mais junto dele.
Eu morri pra você. Às vezes é bom morrer para alguns e renascer para si próprio.
Soltei minhas algemas. Arranquei a camisa de força. Sou mais um louco a solta, só fazendo cagadas. Cagadas sim. São elas que me deixam feliz. Adoro cagadas. Adoro as piores cagadas.
Minha linha da vida é pequena. A linha da vida é pequena demais para todos. Não vou ficar parado esperando o mundo rodar. Não vou ficar parado fazendo papel de idiota. Não vou ficar sentado vendo a chuva escorrer. Agora eu vou chover.
Não vou ficar deitado vendo o vento soprar. Agora eu vento. O vento venta em mim e eu vento no vento.
Parei de parar. Parei de sentar. Agora eu quero correr e recuperar o tempo perdido com todos os idiotas que me roubaram os dias.
Quem quiser pode vir junto. A vida está aí, sentada. Só ela que tem que ficar sentada. Ela está lá esperando para ver o que eu vou fazer com ela. Está só de olho. E é bom ela se preparar.
Agora vamos fazer tudo diferente. Eu e ela. A vida e eu. Vamos começar tudo outra vez, mas agora vai ser muito melhor.
Rir mais, claro.
Se é que isso é possível. Beber menos ? Não sei se vale a pena.
Ser cada dia melhor? Sem dúvida.
Vamos fazer dar certo. Realizar os sonhos.
Sempre que chegar a meia noite, terei a certeza de que meu dia valeu a pena.

“ Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí... “

domingo, 12 de outubro de 2008

A nice place.

Sabe, eu tava a fim de encontrar um lugar bacana pra ver um pôr do sol. Estava pensando nisso esses dias. Queria um lugar bem bonito, bem idiota, daqueles que aquelas menininhas meio tosquinhas sonham em encontrar pra poder deitar na grama com o príncipe encantado. Tirando a parte ridícula do príncipe encantado e da grama, eu queria mesmo um lugar desses. Um lugar que me desse paz, onde eu fechasse meus olhos e me visse por inteiro. Queria um lugar pintado a mão e dedicado só pra mim, pros meus momentos e pra tudo que eu tenho no coração.
Estava precisando de um lugar com cores. Várias cores. Sem muitas pessoas. Eu quero encontrar um lugar que eu possa sentar, não sentir o peso de 500 vacas em cima de mim, não sentir as lágrimas escorrendo e caindo molhando minhas pernas cansadas de só andar em círculos.
Quero encontrar um lugar onde eu possa ser aplaudido, e não ficar aplaudindo a vida maravilhosa das pessoas enquanto a minha continua parada. Quero encontrar um lugar pra me separar um pouco da dor da perda ou um lugar que me faça aprender a perder. Quero um lugar onde me reconheçam. Quero um lugar que me alivie as dúvidas. Será que vale a pena estar aqui? Será que é tudo mesmo do jeito que parece ser, ou as fantasias não fazem parte do real pessoal e particular? Quero um lugar onde exatamente isso aconteça. Quero um lugar onde as minhas fantasias sejam as minhas realidades. Todas elas, sem falta. Todas!
Estava procurando esse lugar, e acho que sei onde eu posso encontrá-lo. Vasculhando no profundo de mim mesmo. Estava entrando na minha alma e vi. Encontrei tudo dentro de mim. Dentro das minhas lembranças e dentro do meu futuro.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sem nome dessa vez.

Hoje vim dizer-te do ódio que sinto. Da vontade que tenho de ver-te no pior dos andares da vida, sem alma, sem nada. Quando pouso meus olhos nos teus, a vontade de esganar teu pescoço manchado de sol me domina. Se eu pudesse, arrancaria-te as entranhas com meus próprios dentes e as faria de comida para ti. Se eu pudesse expor-te como veio ao mundo, e deixar-te ao sereno gélido das noites malditas como tua alma, me sentiria o mais feliz dos seres. Pega tuas coisas e suma da minha vida. Não quero contagiar-me com teu mau afeto nem quero mais sentir tua respiração. Saber que respiras o mesmo ar que eu, arranca-me todas as alegrias. Pior, saber que respiras me faz querer não mais respirar. Se soubesses de como queria poder quebrar todos teus ossos, esmigalhá-los e dar teus restos mortais aos cães que não são de casa.Quero fazer de tua pele meu tapete e dos teus dentes instrumentos musicais. Quero da tua voz o silêncio e de tua alegria, o fim. Quero de tuas mãos arrancar as digitais e pô-las em exposição no lixo mais imundo que encontrar. Tudo isso por que me privas de todas as minhas canções. Pegou meu coração, amassou e jogou no lixo, com todos os meus sentimentos dentro. Com tua cara de monstro, sem coração nem afeto, pegou meu lado mais belo e o transformou em fera.Agora, agüenta saber que meus desejos são os piores possíveis, e que se puder ver-te caído por todo e sempre, me sentirei muito feliz.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Eu não me orgulho.

Cansei de ler jornal. É sempre a mesma coisa. Não sei quem matou uma senhora, corrupção na política e em quase tudo que se conhece, estupro, trânsito, poluição, o planeta está morrendo, etc, etc, etc. Pelo jeito um futuro cada vez mais excitante. Emoção não falta nos dias de hoje. Quer coisa mais emocionante do que sair pra comprar leite na padaria e correr o risco de levar um tiro por causa da bala perdida? Adrenalina, coração batendo mais forte, um barulho e poft, lá vai mais um coitado inocente pro cemitério. Ou ficou paralítico. O que é pior, não?
Há anos que o Brasil vem sendo o país do futuro. É, estou vendo. É o país do futuro do tráfico, da violência, do preconceito, da burrice, da ignorância. Aliás, o povo brasileiro sempre foi feito de trouxa. Desde o primeiro filho da puta que veio de Portugal já enganando os babacas brasileiros. Olha, eu tenho um espelho mágico. Quer trocar por alguns ouros que você tenha sobrando e que não queira usar?? E lá ia o babacão trocar, claro. Desde o início o povo brasileiro foi enganado, foi feito de otário. E como sempre, ficou quieto, fingiu que não era com ele. Conclusão, os anos passaram e os índios burros pelados evoluíram para índios burros com roupas. Óóóóótimo.
Eu não sinto orgulho de ser brasileiro, não. Assim como não sentira orgulho de ser cubano ou israelense. Mas, dos males o menos pior... Mas mesmo assim, sei que muitos vão ficar horrorizados e não vão concordar com a minha opinião, mas, foda-se. Acho o Brasil uma merda. Não me orgulho de filas em hospitais, não me orgulho de educação precária, não me orgulho de assassinato por causa de um saco de lixo no muro do vizinho, não me orgulho do jeitinho brasileiro, que aliás, é uma das coisas mais escrotas do mundo. Jeitinho brasileiro é o jeitinho vagabundo, a gambiarra, a coisa mal feita que passa desapercebida. Ai, credo... Imaginar que o Brasil vai pra frente do jeito que está é um sonho longe de se tornar real. Enquanto as pessoas não se manifestarem, enquanto as pessoas não gritarem e começarem a ver que essa putaria na política e em TUDO desse país de merda está acabando com a “ pátria amada”, vamos afundar cada vez mais na própria bosta que construímos dia- a- dia ficando calados.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O Primeiro Avião.

Quero pegar o primeiro avião pra puta que pariu. Quero passagem de primeira classe pra solidão. Preciso ficar só comigo mesmo, sozinho. Preciso me achar e parar de me perder. Sempre me perco de mim, agora quero me ver de fora pra dentro e de dentro pra fora. Quero me ver de todos os ângulos. Quero pegar o primeiro avião pra casa do caralho e me enfiar no primeiro buraco que achar lá. Quero sair do meu corpo pelo fio de prata e só voltar quando a carcaça estiver sem marcas e feridas. Quero algum lugar onde parem de me julgar, de me olhar, de me apontar. Quero algum lugar onde eu possa ser, e só isso. Ser como eu sou, do modo que sou. Quero pegar o primeiro avião pro quinto dos infernos e abraçar o capeta e falar: -Você é um belo filho da puta que adora os melhores pecados. Até mais ver... (sim, porque do jeito que vai, vou acabar indo pro inferno) Quero um cantinho aconchegante, só pra mim. Quero todos os meus desejos satisfeitos. Quero uma sala com pufes e um caderno e lencinhos de papel. E não pode faltar uma geladeira cheia de cervejas e mentiras. Mentiras sim, porque a verdade dói. Quero um lugar onde ninguém fale que eu seja triste. Eu não sou triste, porra. Mas que inferno. Será que ninguém entende isso ? Triste é a ultima coisa que eu sou, ainda bem. Triste é o que me fazem ser quando falam isso. Triste é quem olha pra rosa e só vê os espinhos. Triste é quem, geralmente, sorri de tudo.

Vou ali acordar pra vida e já venho.
Tchau.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Jesus Cristo é o Senhor.

Estou pensando em abrir uma igrejinha. Tudo começa assim. Com uma pequena igrejinha, que vai virando uma igreja, uma igrejona, uma igrejassa e depois um império de gente safada falando pra um bando de gente burra ouvir. Uma igrejinha, que começa com um chãozinho batido de terra, 20 cadeirinhas de plástico, uma altarzinho improvisado e duas velas apagadas. Aí eles pedem o dízimo. Pedem o dízimo. Bom que eles começam pedindo o dízimo, começam mais humildes, porque depois eles vão pedindo carros, casas, cavalos e tudo o que você tiver no bolso. Aí eles começam a ganhar dinheiro, começam a colocar mais 20 cadeirinhas, e lá cabem mais 20 fornecedores de grana pros putos donos da igreja. Depois eles compram mais 60 cadeirinhas e alugam um terreno maior pra construir uma igreja maior pra caber mais fundo de renda dentro dela. E assim vai indo. Quando você menos vê, se dá de frente com algo que mais parece um shopping. Jesus Cristo é o Senhor... Calma lá, isso não é nome de shopping, isso é nome de igreja. Sim, é uma igreja. Porra meu, olha o tamanho dessa igreja. Olha quanta janela, quantos andares e quantas gentes. Olha esses carros na garagem. Só tem pastor entrando neles... Que coincidência.
Bom, o fato é, eu vou criar uma igreja. Uma igrejinha, que vai virar um império. Tenho que criar uma igreja gay, porque crente e católico e qualquer ignorante fanático religioso não gosta de gay, e a gente precisa de um espaço, certo? Então, vou criar uma igreja. Preciso de nomes... Nossa Senhora do Gliter Rocho é um. Nossa Senhora do Babado Forte é outro. Tem o Nossa Senhora do Bafon, Igreja Cristã do Babadón e assim vai. Pequenas igrejas, grandes negócios. Ninguém vai me segurar.

domingo, 27 de julho de 2008

Para um amigo.

Ontem eu descobri várias coisas ótimas. Descobri a história de uma vida que me pareceu incrível. Não a vida em si,mas a mensagem e os ensinamentos que essa vida deixou quando passou a não ser mais vida. Quando digo que passou a não ser mais vida, me refiro a vida carnal, pois a vida em si ainda anda por aí. Descobri a história de um vinho e pude prová-lo. Foi o melhor que tomei, sim, sem dúvida. Cada gole era uma história nova, cada gole era um pedaço do seu produtor, cada gole era um pedaço de alma novo que entrava em mim. Mas, além de ter descoberto isso, eu descobri e vivi outras coisas importantes nesse dia. Vi por trás de todas as coisas, um amigo. Um amigo que eu sei que já existia, claro. Sempre o foi, mas ontem descobri que, cada vez mais, eu posso chamá-lo de amigo. Vários se foram, se perderam pela estrada, o que é comum, mas esse ficou. Ficou e vai ficar, eu sei. É um amigo de verdade e me presenteou ontem com palavras das quais nunca mais vou me esquecer. Deu-me dois anéis e vários momentos felizes. Cerveja, cigarros, risadas e um abraço. Tudo o que eu preciso pra ficar bem, e isso eu tive de sobra.
Obrigado meu querido, por tudo.
Lembranças à família, à namorada e ao gato.

Ae, arigó, te amo ! =]